
“A indústria vem remunerando melhor o boi que vai para a Europa, mas apenas cinco cortes de cada animal abatido são comercializados neste mercado. Estou bastante otimista. O impacto do acordo vai demorar ainda uns dois ou três anos para começar a trazer resultados, por causa da necessidade da aprovação nos parlamentos dos países, mas certamente vai aumentar os embarques em torno de 10 e 12%. E isso vai puxar o interesse dos produtores brasileiros pela integração ao protocolo SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos), exigência para atender este mercado. E, lá na frente, outros cortes, menos valorizados e que hoje não têm espaço, vão interessar aos compradores”, analisou Sério Ribas.
O Brasil possui cerca de 1.700 fazendas habilitadas à exportação para a Europa. Em 2018, foram 4,2 milhões de animais rastreados dentro do Sisbov, cerca de 12% do total de bovinos abatidos anualmente. O SBC certificações é responsável por metade deste total. No geral, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram 25,5% no primeiro semestre deste ano. O país embarcou 827 mil toneladas de janeiro a junho, contra 658,8 mil toneladas vendidas no mesmo período de 2018. O faturamento atingiu US 3,12 bilhões, 16,2% acima dos primeiros seis meses do ano passado.
Segundo a ABIEC e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil), a comercialização com o mercado europeu gira em torno de 120 mil toneladas anuais. Basicamente, cinco cortes nobres da carcaça, algo perto de oitenta quilos por animal. E um faturamento de US$ 730 milhões. Outra fatia do mercado da EU, de 10 mil toneladas, poderia ser ocupada dentro da chamada Cota Hilton, que tem exigências diferenciadas em relação ao Sisbov, mas o Brasil não consegue atingir mais do que 40%.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) vem transferindo nos últimos anos os processos de certificação para agentes como a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). A ideia central da União é que o governo federal cuide preferencialmente da fiscalização sanitária dos alimentos, deixando protocolos, habilitações e certificações com o mercado e as entidades representativas. “O Sisbov amadureceu bastante na última década. A nova instrução no fim do ano passado tornou o processo menos burocrático. Acho positivo, a CNA está se aproximando, possui um bom sistema. Atualmente, a indústria vem demandando, o pecuarista pode receber até quatro reais a mais por arroba, dependendo do sistema produtivo. E hoje os outros cortes do animal seguem para outros grandes mercados como o asiático. Com o acordo, a indústria vai poder premiar mais ainda o pecuarista. Além de outros prêmios, como os vários protocolos dos frigoríficos”, reiterou o diretor do SBC.
Durante a entrevista, Sérgio Ribas também assegurou que a identificação individual dos rebanhos é um investimento que vale a pena, além de levar outros ganhos às propriedades. “Eu costumo dizer que o fazendeiro tem dois ganhos. O sobrevalor que ele recebe da indústria. Um boi de 20 arrobas vai pagar 60 reais a mais só no boi Europa. Não passa de 10% dos investimentos. E, em segundo lugar, o que a gestão do processo de certificação traz para a propriedade, a melhoria da gestão. A adesão ajuda com o levantamento dos índices zootécnicos, a motivação e o engajamento da equipe, a melhoria na negociação com a indústria. É uma ótima oportunidade para ter condições de negociar a arroba com as plantas, exportando ou não. Uma mudança de patamar, principalmente agora, com margens tão apertadas”, concluiu.
Notícias Agrícolas