Segundo a pesquisa, 73,5% dos produtores de leite e técnicos não sentiram ou tiveram leve queda de receita frente ao projetado. Apenas 12% registraram uma redução grande no faturamento, enquanto 10,9% aumentaram a receita. Em relação aos custos, 76,2% não notaram ou notaram pequeno aumento de despesas em relação às já previstas desde março, quando o isolamento social foi adotado em todos os estados brasileiros.
Também foi identificado que 86,3% das propriedades que responderam a pesquisa não reduziram a equipe de trabalho. Entre as ações emergenciais adotadas pelos produtores para o enfrentamento da crise, houve cortes em investimento de infraestrutura (52%), redução de despesas administrativas (50%) e a redução de gastos com fornecedores e matéria-prima (49%).
Para enfrentar os efeitos negativos da pandemia, os pecuaristas optaram também pelas renegociações de prazos de pagamentos (30%) e concessão de férias e licenças não remuneradas (21%). Apenas 14% dos entrevistados acessaram linhas de crédito ou assumiram dívidas de curto prazo com bancos e suspenderam ou cancelaram contratos com fornecedores.
“A pecuária, como setor essencial, foi menos afetado que os demais. Apesar dos impactos sentidos, a dinâmica do mercado para o setor não muda muito por ser alimento essencial. Porém, os produtores estão preocupados com a insegurança provocada pela pandemia e pelo empobrecimento da população. Mas a maioria está conseguindo trabalhar dentro do esperado e se adaptando ao novo cenário e às novas oportunidades”, explicou a CEO da Ideagri, Heloise Duarte.
Dentre os fatores que têm deixado os pecuaristas receosos estão as incertezas políticas econômicas, fato apontado por 65,3% dos produtores e técnicos entrevistados. A recessão econômica (88,4%) e o aumento do desemprego (83%) são as principais preocupações dos pecuaristas. Também existe grande receio frente ao colapso na saúde (46,3%) e ao desabastecimento (21,1%).
Mesmo que o impacto do Covid-19 não tenha sido muito significativo na atividade, os pecuaristas de leite estão cautelosos em relação à recuperação da economia nacional. A pesquisa da Ideagri mostrou que 21,1% dos entrevistados esperam que o retorno aconteça em até um ano, enquanto 36,7% acreditam que serão necessários entre um e dois anos. Outros 14,3% não esperam uma recuperação antes de dois anos.
Agro on-line – Um dos pontos positivos registrados pela pesquisa foi a maior abertura dos pecuaristas para a busca de informações e capacitações pelos canais on-line.
Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados buscam informações na internet para se manter atualizados.
As informações por redes sociais são buscadas por 31% dos entrevistados e os grupos de WhatsApp são adotados por 22%. Cerca de 42% se atualizam através de programas de televisão e por veículos impressos são 22% dos entrevistados.
A participação em eventos on-line cresceu substancialmente no período de isolamento social. De acordo com Heloise, antes da pandemia, apenas 42% dos pecuaristas e técnicos do setor acompanhavam eventos virtuais, índice que subiu para 91% durante os meses de isolamento. Do total, 99% conseguiram absorver as informações passadas nos eventos on-line. Dos entrevistados, 98% pretendem acompanhar os eventos de forma remota mesmo após a pandemia.
“Os pecuaristas e técnicos que tinham muito receio em participar dos eventos on-line, ao não ter alternativa com a pandemia e com a suspensão de eventos presenciais, participaram e viram que o resultado é positivo e vantajoso. Além do tempo poupado com o deslocamento, a absorção de informações foi positiva. Por isso, a tendência é de que eles sigam utilizando a tecnologia”, destacou Heloise.
Fonte: Diário do Comércio.