10/11/2020

07:56

MT investirá R$ 439,3 milhões em plano emergencial para recuperar pecuária no Pantanal

Proposta prevê investimentos em infraestrutura, mudanças na legislação ambiental e linhas de financiamentos específicas para a região até o fim de 2021.

Após o fogo consumir mais de 20% do pantanal, o governo do Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec), planeja investir R$ 439,3 milhões até 31 de dezembro de 2021 em um plano emergencial para recuperação da pecuária pantaneira.

Do total, R$ 170,4 milhões serão liberados ainda este ano, por meio de remanejamento dos recursos do fundo de desenvolvimento do Centro-Oeste (FCO) não utilizados pelo setor empresarial. Os valores serão destinados prioritariamente ao financiamento de projetos que visem a recuperação da capacidade produtiva no bioma.

“Não é muito, mas através do Codem (Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso) vamos aprovar uma resolução que dá direito ao Banco do Brasil, que é o maior operador, a fazer um remanejamento ao FCO Rural”, explica o secretário de desenvolvimento econômico do Estado, César Miranda.

Em reunião com os sindicatos rurais de Cáceres e Poconé na última quinta-feira (5/11), o secretário pediu aos pecuaristas que adiantem a elaboração de seus pedidos de financiamento, dado o prazo apertado para a liberação dos recursos.

Para 2021, a Sedec pleiteia junto ao conselho deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), formado por representantes dos três Estados do Centro-Oeste mais o Distrito Federal, a criação de linhas de crédito específicas para o Pantanal.

“É uma conjuntura de ações e trabalhos de Estado para melhorar a efetividade da pecuária pantaneira”, destaca o secretário de desenvolvimento econômico do Mato Grosso. Além da Sedec e da Conden, o plano é assinado por outras sete instituições, entre elas a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato) e a Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

O documento traça um panorama do setor no pantanal mato-grossense e aponta um elevado índice de abandono da atividade, com uma redução de 72,5% no rebanho dos municípios de Barão de Melgaço, Cárceres e Poconé desde 1973. Juntas, as três cidades reúnem 76,5% do pantanal mato-grossense.

“A partir daí, começamos a entender o porquê de o Pantanal começar a ser esse problema. Não que o boi sozinho vá ser bombeiro e resolver o problema. Mas ele é um dos agentes que contribui para reduzir o material que vai ser combustível para incêndios”, destaca o consultor técnico da Acrimat, Amado de Oliveira Filho.

Segundo o economista, a atividade do setor tem “descido ladeira abaixo” nas últimas décadas. “Diga-se de passagem, não é a primeira vez que isso acontece. Já foram feitas ações para repor o rebanho de matrizes como nós vamos fazer agora de novo”, pontua Oliveira Filho.

Dos R$ 439,5 milhões previstos pelo plano de recuperação elaborado pela Sedec junto a entidades representativas do setor, R$ 300 milhões (68,3%) deverão ser destinados para a reposição de matrizes.

Além dos recursos financeiros, o plano prevê alterações na legislação ambiental para permitir a limpeza de pastagens e substituição das variedades nativas por brachiaria humídicola, aos moldes do que já ocorre no Mato Grosso do Sul.

“O governo do Estado está vendo com bons olhos isso, o secretário César Miranda defende isso, pode acontecer e é muito positivo, porque vai aumentar a produtividade”, afirma o consultor técnico da Acrimat, que coordenou o grupo de trabalho responsável por elaborar o plano, ao alertar para o abandono da atividade na região.

“Daqui a pouco a economia pantaneira como um todo vai estar comprometida, porque, se continuarem a abandonar fazendas, o turismo também acaba em algumas regiões”, avalia o economista. Segundo dados do Imea, a pecuária responde por 81,7% do Valor Bruto da Produção no bioma.

Diante das dificuldades intrínsecas à criação de gado no Pantanal, com despesas financeiras quase três vezes superiores ao observado para os demais pecuaristas Estado, o plano de recuperação da atividade também prevê uma parceria com o Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC) para a criação de uma denominação de origem da carne pantaneira, considerando que ela possui um “valor agregado que precisa ser remunerado pelos mercados”.

“A gente, como Secretaria de Desenvolvimento, está muito preocupado em resgatar essa pecuária pantaneira e colocá-la nos moldes de uma pecuária altamente tecnificada e sustentável”, conclui Miranda.

 

Fonte: Revista Globo Rural

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