17/09/2021

09:07

O impacto da temperatura ambiental na produção de suínos

Para que os suínos expressem toda sua capacidade produtiva, é tecnicamente reconhecido que há necessidade de adequar a ambiência, um dos grandes desafios da suinocultura atual.

As variações climáticas promovem grande influência no desempenho produtivo dos animais, causando sérios prejuízos econômicos.

No Brasil, especialmente para os produtores da região sul, que apresenta clima subtropical úmido, com inverno muito frio e altas temperaturas no verão, sem esquecer de grandes oscilações num mesmo dia que favorecem a episódios de doenças, é necessária uma atenção especial ao assunto.

Em todas as ocasiões que ocorrem ondas de frio intenso, notamos a preocupação de produtores para com o fornecimento de calor para leitões na fase de lactação e nas primeiras semanas após desmame, um cuidado que necessariamente deve ser mantido no verão, pois as noites têm temperaturas abaixo daquelas indicadas para leitões.

Decorrente das variações climáticas que nosso clima oferece, inúmeros estudos demonstram que o conforto ambiental exerce papel importantíssimo na manutenção da saúde, no desempenho e na produtividade dos suínos. Se por um lado os leitões requerem fontes suplementares de calor, reprodutores e animais em terminação têm prejuízos produtivos em situações de altas temperaturas.

Ideal é que os animais fiquem em conforto térmico, o que implica em estratégias construtivas inteligentes, permitindo que, por exemplo, numa mesma instalação (maternidade) seja oferecida, com mínimo custo, ambiente seco e acima de 30 graus para os leitões e abaixo de 23 graus para as matrizes.

Na creche, a questão de baixa temperatura é de extrema importância, pois os nutrientes demandados para os animais se manterem aquecidos são exatamente os mesmos para ganho de peso e saúde, que ficam prejudicados em caso de frio, ou seja, o aquecimento corporal e da própria sala vêm da ração, havendo assim desvio de energia que seria utilizada na produção, o que acarreta um baixo ganho de peso e uma conversão alimentar ruim. Nas primeiras duas semanas de creche recomenda-se manter acima de 28 graus e nas demais semanas, acima de 24 graus.

Nas fases reprodução e terminação, o maior impacto acontece por excesso de temperatura que, causando desconforto, leva a uma redução voluntária de consumo e, consequente, menor produção, uma vez que reduzida a ingestão, haverá menor produção de leite nas fêmeas lactantes e menor ganho diário no crescimento e terminação. Para a gestação e terminação, para desempenho ideal, propiciar temperaturas, se possível, abaixo de 22 graus.

Além do dimensionamento correto das instalações no que diz respeito à área por animal, é muito importante que se tenham preocupações com a altura do pé direito e a orientação solar da construção.

Para as instalações já existentes, são recomendadas várias estratégias que visam minimizar os prejuízos, passando pelo ajuste da lotação, pelo sombreamento dos abrigos, instalação de ventiladores e colocação de sistemas para controle ambiental de temperatura, cujos custos devem ser avaliados e comparados com os benefícios presumidos na produção.

Arthur Gabriel Pastre – Médico Veterinário

Nilson Sabino da Silva – Médico Vererinário

Deixe seu comentário

Economia

seu orçamento está vazio