23/09/2021

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Suinocultura – competitividade em tempos de altos custos de produção

Custos internos de milho e soja, aviltados em decorrência de procura internacional, da queda de produção pela seca e geadas, associados ao câmbio que determina também custos dos demais insumos e de fretes e à redução de consumo nacional da carne suína, formam, neste momento, um cenário deveras desafiador ao produtor de suínos.

A competitividade é, sempre, resultado da habilidade do produtor no gerenciamento da sua produção e adquire caráter decisivo neste momento adverso, que sabemos, é cíclico na suinocultura.

A margem, que é a diferença entre o preço de venda e o custo de produção, só é alterada quando houver o aumento do preço do suíno, ditado pelo mercado – lei da oferta e procura – independente, portanto, da vontade do criador, ou então, com a redução do custo de produção, intimamente relacionado à gestão da propriedade.

Porém, o custo de produção nem sempre está relacionado ao custo da ração, ou seja, não significa que a ração mais barata é que impactará na redução do custo. Existem outros fatores extremamente importantes que devem ser levados em consideração.

A palavra-chave é produtividade, que é medida pelos resultados obtidos nos índices com efetiva participação na formação do custo:

  • Alvo de cobertura
  • Taxa de parto
  • Tamanho de leitegada
  • Mortalidade
  • Dias não produtivos
  • Ganho de peso diário
  • Conversão alimentar

Os índices enumerados, normalmente são tratados nos sistemas de produção e já fazem parte da grande maioria dos processos de análise na suinocultura nacional, sendo imprescindível que se façam as anotações dos dados reais da granja para que, programas de gerenciamento, empresas prestadoras de serviço ou pessoas capacitadas determinem estes índices.

O primeiro foco, e quem sabe o principal, é fazer um diagnóstico dos pontos onde estão as possíveis oportunidades de melhoria frente aos indicadores estipuladas. A análise da distância entre seus resultados frente às metas é que dita a tomada de decisão e a urgência para adoção de um plano de ação, cujo resultado depende da assertividade das medidas que, por isso, devem ser constantemente monitoradas.

Fundamental é considerar o foco de produção e a intensão produtiva da unidade. Se você vende número de cabeças desmamadas; se você vende peso de leitão desmamado; se você tem ciclo completo e, se também além do ciclo completo tem industrialização. Suinocultura é uma atividade econômica, de modo que, para a saúde do seu negócio, é necessário analisar o impacto de cada índice zootécnico no custo de produção levando-se em conta que os índices tem relação entre si e, portanto, nunca analisar somente um ponto.

Na prática, observamos vários gargalos de produção que nem sempre são considerados por produtores, geralmente por não identificar o “problema” ou não perceber o seu custo, como por exemplo, o peso de cobertura de leitoas, indicada entre 135 e 160 kg, onde alcançamos o melhor aproveitamento.

Máxima atenção e uso de algumas ferramentas de diagnóstico devem ser utilizadas para que se minimizem as perdas, caso de equipamento de ultrassom para identificação precoce de fêmeas vazias, considerando que, se uma fêmea chegar “vazia” na maternidade, tem o custo de 5 matrizes com repetição de cio identificada aos 21 dias. O uso do “cáliper” permite evitar desperdícios de ração com fêmeas de escore corporal acima do ideal.

Os colaboradores devem ser proativos e, para isto, precisam estar treinados para identificar e efetivar as práticas com a maior brevidade e assertividade possível, como por exemplo, na identificação de animais doentes que, quanto antes atendidos, melhores são as chances de recuperação.

O estabelecimento de rotinas, prioridades e planos de ação específicos costumam trazer resultados impressionantes; por exemplo, a significativa redução da mortalidade de leitões após adoção da prática de colostragem.

Diz o ditado que quando se quer saber, é necessário medir. Quando aferimos que o consumo de ração da fêmea for superior a 33 kg por leitão produzido, podemos entender que há espaço para melhora. Tecnicamente é indicado que dois terços das fêmeas devem chegar ao final da lactação com 14 ou mais leitões. Os custos – nutrição, mão de obra, medicamentos etc. – para uma fêmea com 12 ou 15 leitões é praticamente o mesmo.

A alta prolificidade atingida na suinocultura nos traz exigências de algumas práticas que precisam ser aplicadas, mas que, por sua vez, podem estar relacionadas a impactos negativos posteriores, caso das “mães de leite”, que adquirem caráter de extrema importância quando maior do que 5%, pois impacta diretamente no consumo de ração por leitão desmamado e interfere negativamente em cumprir o alvo de cobertura. Uma alternativa que se apresenta é o desmame precoce com uso de sucedâneos eficientes.

Diversos outros índices e números são importantes na gestão da produtividade. O domínio sobre seus resultados, sempre baseado nos indicadores de produção, é essencial para o entendimento de onde devem ser concentrados os esforços, levando em conta dados financeiros associados às metas e a quaisquer mudanças propostas.

Arthur Gabriel Pastre – Médico Veterinário – VitallTech do Brasil®

Nilson Sabino da Silva – Médico Veterinário – VitallTech do Brasil®

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