23/09/2019

11:35

“Temos que buscar o mercado da carne nobre”, diz especialista

Para o coordenador do CIA-UFPR, Paulo Rossi Júnior, a conquista de novo status sanitário irá colocar o Paraná em uma posição privilegiada

A conquista do status de área livre de febre aftosa sem vacinação irá colocar o Paraná em condição privilegiada na abertura de novos mercados internacionais à carne bovina produzida no Estado. O coordenador do Centro de Informação do Agronegócio da Universidade Federal do Paraná UFPR (CIA-UFPR), professor Paulo Rossi Júnior, avalia que o grande desafio da pecuária paranaense será chegar a compradores mais sofisticados, que remuneram melhor. Ele destaca que o principal potencial do reconhecimento internacional está justamente na aposta na qualidade do produto a ser exportado. A análise foi apresentada na reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, no dia 16 de setembro, na sede da entidade, em Curitiba.

Paralelamente, Rossi Júnior aponta que o rebanho paranaense de bovinos se manteve estável desde o início da década, em 9,4 milhões de cabeças. Ou seja, o grande avanço não se dará no volume de carne exportada. Outro ponto que deve restringir o embarque de grandes volumes ao exterior é o fato de o Paraná ter apenas dois frigoríficos habilitados a comercializar carne bovina a outros países – cada um, com capacidade para abater 1,5 mil cabeças por dia.

“Hoje, Santa Catarina tem o status [de livre de aftosa sem vacinação], mas não é expressiva na pecuária bovina. Nós temos essa vantagem. Mas o nosso potencial não vai ser em volume, mas em qualidade”, disse Rossi Júnior. “Exportar para a China é bom, mas temos que buscar o mercado de carne nobre, que pagar mais. Nós temos uma coisa diferente nas mãos e precisamos explorar isso”, acrescentou.

Apesar das perspectivas positivas, Rossi Júnior entende que o mercado interno continuará a ser decisivo para a formação de preços dos produtos da bovinocultura. Ao longo da década, cerca de 80% da produção bovina do Paraná vêm sendo voltada ao consumo do Estado e 20%, em regra, exportados. Ao mesmo tempo, o professor observa que a estagnação econômica do país – registrada nos últimos dois anos – tem se refletivo na pecuária paranaense, com frigoríficos operando com cautela. Este cenário acaba por interferir nos preços, deixando-os estáveis.

“O grande formador de preço é o mercado interno. A exportação pode ajudar a melhorar um pouco o preço geral, mas de forma muito leve e isolada”, analisou. “Economicamente, os últimos dois anos não foram bons. Com desemprego e menor renda, o brasileiro deixou de comer carne. Temos que ver como as coisas vão se dar daqui para frente”, observou.

Próximos passos

Ainda na reunião da CT de Bovinocultura de Corte, o diretor-executivo do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec), Ronei Volpi, descreveu os próximos passos no processo de reconhecimento internacional. Ele adiantou que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve suspender oficialmente a vacinação contra aftosa no Paraná em novembro. Com isso, o Estado teria condições de obter o reconhecimento internacional em 2021.

“O dia da suspensão oficial da vacinação ainda não está definido. Nós defendemos que seja 30 de novembro, quando expira a última vacinação, feita em maio”, disse Volpi.

A construção do último Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário na BR-116, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, deve ser concluída até o fim de novembro, segundo Volpi. O ponto era um dos últimos requisitos do Mapa, que já reconheceu o sistema sanitário paranaense como o melhor do país.

“O Paraná virou referência no Brasil de como deve ser a participação da iniciativa privada, como o Fundepec. Nós somos, mesmo, o Estado que tem mais e melhor relação do público com o privado”, definiu.

 

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