A decisão estratégica adotada por alguns frigoríficos para contornar a forte alta da arroba do boi em meio a um mercado interno fraco, decretando férias coletivas em algumas unidades, acendeu um alerta entre os trabalhadores do setor.
Em ofício enviado às federações locais, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA) e a Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação da CUT(Contac) afirmam que a medida é “sintoma de demissão”.
“Os companheiros sabem que férias coletivas não programadas é sintoma de demissão. Isso não podemos permitir, já não bastam os 30 milhões desalentados e desempregados?”, afirma o documento.
Em setembro, pelo menos quatro frigoríficos decretaram férias coletivas no Brasil devido ao alto custo com a originação do gado e a menor liquidez para a venda de carne bovina no atacado e no varejo.
Enquanto o valor da arroba subiu mais de 24% no ano, os preços no atacado e no varejo paulista calculados pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado (IEA) avançaram 3,7% e 5,7%, respectivamente. Nas exportações, o preço médio recebido pelo Brasil caiu mais de 20% – de R$ 4,9 mil a tonelada em janeiro para R$ 3,9 mil em agosto.
Fonte: Revista Globo Rural